5 coisas que aprendi com a minha pele - por Angélica Moreno

Angélica Moreno, a Pandangélica, compartilha as cinco coisas que aprendeu com sua pele nessa jornada com o vitiligo. Aviso: o alto astral é imediato e contagiante!

Angélica Moreno é daquelas colabs da Sallve que imediatamente te deixam com o astral lá em cima. A youtuber de beleza e expert em k-absolutamente tudo (de beauty a music!) tem um canal no YouTube que já virou favorito de mais de 562 mil assinantes. É lá que ela compartilha, além de tantas outras coisas, sua história com sua pele.

 

 

Depois de participar de mais um capítulo da nossa série Jornada da Pele lá no IGTV, em que compartilhou seus cuidados com a pele com vitiliguo, Angélica baixa aqui no blog para listar as cinco coisas que aprendeu com a sua pele ao longo dessa jornada - que teve passagem pela Coreia do Sul e a levou para seu status atual: de amor próprio e celebração do que nos faz diferente. Apenas maravilhosa.

1- Temos que aprender com as crianças

“Ah lá, não sabe passar maquiagem”, “Parece sujeira”, “Porque você não tampa?” “Tão bonita, pena que tem isso na pele”, “Isso passa?”

Gostam de dizer que crianças não tem filtro, e que temos que ter paciência com elas, que elas não falam por mal e eu concordo. Todos esses comentários foram feitos por adultos, atendentes de loja, familiares e colegas de universidade. Qual a desculpa deles? Uma coisa que eu sempre digo é que o bullying revela mais sobre a pessoa que o faz do que sobre aquele que recebe.

Por que uma mancha branca na pele é tão repulsiva para algumas pessoas a ponto de elas quererem te atingir com isso? Penso que é uma maneira da pessoa se distrair dos próprios autojulgamentos: ela tenta atingir aos outros para tirar o foco de si mesma.

Uma vez, depois de ter ouvido um comentário maldoso de um adulto, perguntei para um aluninho meu se ele achava meu vitiligo estranho. Para ser bem sincera, eu nem lembro da resposta dele, mas o olhar dele disse tudo. Minha pele não fazia diferença nenhuma pra ele, só as brincadeiras.

2- Beleza não define caráter

Quem nunca se olhou no espelho e quis mudar alguma coisinha que atire a primeira pedra, né?! Por muitos anos eu escondi o meu vitiligo, fingia que ele não existia, achando que assim eu seria uma versão melhor de mim mesma. Tadinha…

Quando a paciência para passar maquiagem todos os dias para ir para escola no auge dos meus 16 anos acabou, percebi que a pessoa que mais se preocupava com a minha aparência, era eu mesma. Meus amigos continuaram sendo meus amigos. Os que não gostavam de mim continuaram não gostando de mim. Tudo se resumiu ao fato que quem eu sou por dentro, é a parte mais importante de mim.


3- Rir de mim mesma é o melhor remédio

Todo mundo me pergunta porque meu stage name é “Pandangelica” e eu adoro responder: é a oportunidade de eu mostrar que meu vitiligo me afeta de uma maneira positiva. “Panda” porque eu tenho manchas ao redor dos meus olhos, o que remete ao querido ursinho preto e branco, uma maneira mais descontraída de eu dizer que se alguém tem alguma pergunta sobre essa doença, pode fazer que estou mais do que aberta a explicar.

Dependendo do background de cada pessoa, é complicado você chegar chamando todo mundo que tem vitiligo de “Panda”, então não saia usando e abusando desse apelido, tome cuidado. Mas o que eu aprendi dentro das minhas experiências é que o quanto mais eu puder rir de mim mesma, menos eu vou levar os meus problemas a sério e deixar que eles me consumam.

4- Amor de pai e mãe

Durante uns bons anos fiquei revoltada com meus pais por eles me submeterem a tantos tratamentos, mesmo quando eu dizia que estava de saco cheio. Perdi a conta de quantas pomadas, banhos de sol, cápsulas e receitas mirabolantes eu já adotei pra tentar me “livrar” dessa doença sem cura.

No auge dos meus dez anos, o que eu menos queria num parque aquático era ter que usar chapéu com uma alça apertada no meu queixo para o sol não pegar no meu rosto. Ou ter que viajar pra São Paulo para me consultar num tal especialista que tinha todas as soluções para os meus “problemas”.

Eu não entendia porque meus pais se importavam tanto com essa doença, tão mais do que eu mesma me importei. Cheguei até a pensar que eles tinham preconceito contra a própria filha deles!

Agora, quase 20 anos depois, entendo que tudo o que eles fizeram foi para me proteger dos comentários que eu ouvi desde sempre. Queria que eles tivessem acreditado que eu não ligava para o meu vitiligo, para que eles ficassem mais tranquilos. O que eu não via era que os comentários direcionados a mim os machucavam indiretamente. Aprendi empatia com eles, e sou muito agradecida.

5- Eu sou única

Todos somos únicos, claro, mas a sociedade tem essa mania de querer definir uma coisa como “o mais bonito”, e isso tem que acabar. O que é bonito para mim não é bonito para outro, GRAÇAS A DEUS! Imagina todo mundo gostando da mesma pessoa?

Ter uma doença de pele sem cura me fez ver (com muito esforço e treinamento diário) que o meu vitiligo me faz ser extraordinária no sentido mais literal da palavra. E eu adoro isso! Mesmo dentre as pessoas com vitiligo, não tem ninguém com exatamente as mesmas manchas que eu. Você já parou pra pensar o quão assustador e maravilhoso é ser UM? É um desafio se aceitar, mas vale muito a pena.

Abraçar os próprios gostos, abrir a cabeça para novas experiências, identificar em si mesmo o que te faz singular é lindo. Se satisfazer com o reflexo no espelho vai além de aparência, vai de enxergar uma perspectiva geral do que faz um ser humano atraente. E eu me acho linda.

vamos conversar?

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