Efeito rebote na pele: um mecanismo de defesa

Vamos falar um pouco mais a fundo sobre efeito rebote?

Nós já falamos muito por aqui sobre nosso relacionamento com a nossa pele e como, conforme vamos amadurecendo, aprendemos que tantas de suas reações que sempre detestamos na verdade não passam de mecanismos de defesa que temos que aprender a ler. Até mesmo uma crise de acne pode ser sua pele te mandando um recado: "Ei! Tem algo errado aí no que você está fazendo, calma!" Se isso tem nome? Tem sim: se chama efeito rebote.

É claro que você já ouviu falar nele - e, por consequência, morre de medo de passar por isso. A pele fica mal mesmo. Mas vamos dar uma mergulhada nesse assunto e entender direitinho por que isso acontece?

O efeito rebote na oleosidade

O efeito rebote mais conhecido é o da oleosidade, que é o que acontece quando tentamos secar tanto a nossa pele que ela acaba reagindo, avisando que estamos interferindo no que não deveríamos: seu manto hidrolipídico.

"O manto hidrolipídico tem uma função super importante, que é de impermeabilizar a pele evitando a perda de água e a penetração de alérgenos e patógetos, entre outros. Então se você fica tirando demais a gordura da sua pele, o organismo naturalmente tenta fabricar mais óleo para compensar essa retirada e esse ressecamento subsequente, causado pela limpeza intempestiva. Isso é um mecanismo de defesa do organismo, para compensar o ressecamento", explica a dermatologista Dra. Marisa Gonzaga.

Ela segue explicando ainda que o sebo da nossa pele é produzido em função do estímulo do hormônio masculino, mas que alguns outros mecanismos podem favorecer o aumento desta oleosidade como mecanismo de defesa, como a já mencionada limpeza excessiva. "O sebo tem função antioxidante, de manter o microbioma e o pH da pele estáveis", ela afirma. "Ele tem uma função de proteção, não de hidratação. Limpar demais sua pele é uma forma de agressão, e é a produção de sebo que pode ser ativada quando você desengordura demais a sua pele."

Dra. Denise Steiner descreve outro efeito rebote ligado à produção da oleosidade: "O que acontece é que quando a pele fica muito ressecada, desidratada, alguns mecanismos de imunidade natural são acionados, e ela acaba inflamando. Quando isso acontece, às vezes pode haver uma ação mais intensa das glândulas sebáceas, que respondem a muitos agentes inflamatórios e neurormônios que são liberados quando a pele está inflamada." Ela reforça que a barreira cutânea é uma organização muito precisa da pele, produzindo lipídios, mantendo a água e a proteção da pele. "Quando você desidrata muito, tudo isso é rompido, pode ocorrer uma inflamação e ela, por sua vez, pode levar a uma maior produção de oleosidade."

Existem ativos que podem influenciar diretamente na produção de sebo?

Dra. Carla Vidal responde à pergunta de forma enfática: "Existem sim. Um ácido azelaico, por exemplo, vai agir diretamente na glândula sebácea para diminuir a produção de sebo - senão não existiria tratamento para acne. Temos vários outros, como o peróxido de benzoíla, que é mais irritante, ou isotretinoína. Eles vão agir na glândula sebácea diminuindo essa produção de sebo. Só que se eu uso isso demais, vou acabar irritando minha pele, porque é um ácido. E também porque não quero uma pele seca, quero uma pele normal."

Alteração do óleo na pele por outros fatores

Vale lembrar, porém, que a alteração na produção de sebo pela pele também pode ter outros fatores: "Às vezes não é só pelo uso de cosmético. Às vezes o aumento de cortisol e estresse também aumentam a produção de óleo ou ocorrência de acne, assim como o excesso de calor e a mudança de pílulas anticoncepcionais", explica Dra. Denise. "Então muitas situações que as pessoas poderiam estar passando na vida delas naquele momento podem estar coincidindo com o momento que ela está usando esse novo produto", ensina.

Outros tipos de efeito rebote

Além da tão temida oleosidade em excesso, há outros tipos de efeito rebote da sua pele que são até mais complicados do que a uma maior produção de sebo, como hipersensibilidade, descamação, vermelhidão e até dermatites -alérgicas ou de contato. "Se a pessoa tem a pele sensível e a desengordura demais, permite a penetração de substâncias que causam alergia em maior quantidade", explica Dra. Marisa. "Você começa a causar uma inflamação, que é o segundo mecanismo de defesa. O primeiro é o manto hidrolipídico, que protege a pele. Se você agride demais esse manto, você atinge o segundo mecanismo de defesa, que é esse processo inflamatório."

Dra. Carla, por sua vez, fala sobre outra forma de efeito rebote: "Imagina uma pessoa com uma inflamação na pele que começa a usar uma pomada de corticóide, e funciona. Vendo isso, ela continua usando. Quando isso acontece, aquela pomada não vai mais ajudar, e sim prejudicar e causar um efeito rebote, como uma dermatite perioral em consequência do uso daquela pomada, que antes era ótima."

Dra. Denise complementa: o efeito rebote também é muito ligado à dependência da pele a alguma substância específica, e concorda: "Acontece muito com corticóides."

O conselho da Dra. Carla Vidal é daqueles que a gente não cansa de repetir por aqui: "Tudo deve ser usado na medida. Se eu uso um adstringente mais forte, vou usar um ácido mais fraco. Se eu uso um tônico, uso um ácido mais forte. Eu equilibro a pele de acordo com cada pele - oleosa, mista ou seca. Isso tem que ser sempre equilibrado, senão o paciente volta para mim achando que está com alergia, e às vezes não é alergia, é o creme que foi forte demais para aquele tipo de pele. Ou uma pele já sensibilizada com o frio que recebe um ácido forte demais."

O maior alerta quando se fala sobre efeitos rebotes na pele, com todas as suas reações, gira em torno de uma conversa que já rola aqui entre nós há um tempo: parcimônia no skincare é fundamental. Antes de pesquisarmos todos os ativos e seus benefícios e sairmos empilhando-os na nossa pele, é importante sabermos como inseri-los e se a nossa pele está preparada para recebê-los, ou podemos acabar com um problema mais sério.

Da mesma forma que nossa relação com o skincare mudou, os produtos em si mudaram também. Vale repensarmos como usamos e sempre - sempre mesmo - ter acompanhamento médico.

vamos conversar?

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