Venda de sombras coloridas aumenta na quarentena - mas por que, hein?

A venda de maquiagem na quarentena caiu, mas a de sombra... Essa subiu! E aqui a gente analisa por quê

Não é impressão sua: passar um bom batom vermelho pode mudar seu dia e te deixar pronta pra tudo. Há diversos estudos científicos que comprovam o superpoder do cosmético e até fatos históricos que sedimentam seu status de ícone transformador: durante a segunda guerra mundial, os kits de beleza padrões distribuídos às mulheres que prestavam serviços naquele período continha sempre um batom vermelho - o "Auxiliary Red Lipstick" -, justamente por acreditar-se que o cosmético dava aquela levantada imediata na moral.

Não à toa, assim nasceu o "efeito batom" (lipstick effect, em inglês), que é aquela ligação imediata entre tempos de crise econômica e o aumento da venda de batons. Foi assim em diversos momentos de crise mundial - como em 2001 e 2008, por exemplo. Ah, e um detalhe: não são só os batons baratinhos os mais procurados não! Batons mais caros são muito mais procurados neste período, em sintonia com aquela ideia de auto-indulgência mesmo, de se presentear com um pequeno luxo que idealmente não vai quebrar seu orçamento.

+ Uma rotina de maquiagem pode te ajudar na quarentena

O efeito batom virou efeito sombra

Entre tanta coisa nova que a pandemia do coronavírus instaurou no mundo, porém, está justamente o fim dessa máxima do efeito batom - afinal de contas, usando máscara o tempo todo, qual é o propósito de ter a boca colorida? Borra na máscara, ninguém vai ver... Nada prático. Isso não significa, porém, que as pessoas abdicaram da maquiagem de vez. Batons e outros cosméticos podem estar em baixa nas vendas mas as sombras... As sombras andam muito bem, obrigado - com um aumento já comprovado em suas vendas de 22% para 25%. Isso só nesse período. Ah, e produtos para as sobrancelhas também andam sentindo esse impulso em seus números.

"As sombras, principalmente coloridas, entram muito no lugar do lúdico, do escapismo que a gente está vivendo", comenta Matheus Elisei, entusiasta e muso dos olhos coloridos. "A maioria das pessoas que têm o privilégio de ficar em casa vêm buscando maneiras de se olhar diferente, de sair da mesmice."

É fácil apontar o que alavancou a venda das sombras durante esse período de pandemia: é o que sobra pra fora da máscara. Mas como aqui a gente gosta muito a) do assunto e b) de análises profundas sobre o comportamento em torno do skincare e da maquiagem, a gente se aprofundou mais no que vem levando tanta gente a se divertir com uma boa paleta de sombras.

"As pessoas querem se mimar de alguma maneira, e a beleza entra muito nesse lugar".

Matheus Elisei

Estamos nos vendo mais

"Com essa diminuição do número de pessoas que estamos encontrando para além da tela, estamos começando a nos ver de um jeito diferente, né?", diz Matheus. Sem dúvida: nunca nos olhamos tanto no espelho, na janelinha do zoom ou na lente do celular, e tudo isso vem sendo refletido em como temos consumido beleza. E nos olhando tanto, é normal querermos dar uma mudada no visual de um jeito simples e prático. É aí que entram as sombras: "Somos nós buscando maneiras diferentes de nos olhar, de sair da mesmice", pondera Matheus.

Abaixo o julgamento alheio (finalmente!!) e viva a diversão!

Dentro dessa nova realidade de estarmos nos enxergando de forma tão mais intensa, um saldo positivo: o julgamento alheio passou a nos interessar cada vez menos. Se não temos saído para encontrar ninguém, estamos usando maquiagem para nós mesmos. Não interessa se temos ou não um monte de reuniões em vídeo naquele dia: o olho está colorido para a gente mesmo.

Matheus, porém, enxerga ainda mais longe: "As imagens que as pessoas vão receber da gente durante a pandemia, se você tem esse privilégio de ficar em casa, são editadas - e não estou falando só de Photoshop. A gente faz um monte de recortes do que queremos mostrar. Assim ficamos mais confortáveis para nos maquiar, para errar... Porque se ficar ruim a gente não precisa mostrar pra ninguém, ou enfrentar o olhar de uma pessoa te julgando no metrô. Tem muito esse lugar de estarmos nos sentindo mais seguro por estarmos dentro de casa - o que é algo inerente. Isso, por consequência, faz com que a gente se sinta mais seguro no âmbito da maquiagem, do colorido, da beleza".

Julia Petit concorda, e traça uma progressão comportamental que vem acontecendo há um tempo na beleza: "É uma história que vem vindo até por causa de 'Euphoria', quando as pessoas começaram a enxergar a maquiagem de outro jeito. Aquela maquiagem clássica de Pinterest e Instagram mudou para uma muito mais colorida e desestruturada, moderna mesmo", ela explica.

"As pessoas antigamente ficavam muito tímidas de fazer um olho colorido, porque era muito complexo, e achavam que se desse errado ia ficar feio", continua a nossa Ruiva. "Porque antes a regra era aquele esfumado perfeito. Mas essa coisa da maquiagem mais desestruturada que apareceu nos últimos dois últimos anos deu essa licença para as pessoas tentarem improvisar, do seu jeito."

Ela cita como exemplo os tutoriais de maquiagem de Marc Jacobs no Instagram, que são uma verdadeira aula não só de liberdade de expressão - e de ser quem se é - na maquiagem, como na vida. "É bem aquela coisa que ele mostra mesmo, de tudo bem estar borrado, de pegar um monte de glitter e bater no olho, de fazer uma mancha azul, do delineador deixar de ser perfeito e pronto: tô maquiado".

O reflexo disso tudo, Julia conta, já pulsa lá no Instagram: "Sigo várias contas de pessoas que fazem esses delineados coloridos sem o menor compromisso com perfeição. Não é como o gatinho, que inspirava até aqueles campeonatos de quem fazia o delineado mais perfeito. Agora os desenhos são imperfeitos mesmo, mais artísticos".

"As pessoas se dão mais licença, tá uma fase muito boa. É escapismo, né? É diversão nesse momento que estamos vivendo. Um olho colorido é muita diversão".

Julia Petit

Matheus faz coro: "Quando passamos sombra colorida abrimos novas possibilidades, de sermos novas versões, de experimentarmos novas facetas... Talvez muita gente não viaje tanto assim, mas eu viajo nesse sentido mesmo, quando penso na maquiagem colorida e na sombra colorida. Vou além do simples fato de estarmos de máscara".

Uma nova maquiagem

Toda essa trajetória que a Julia traçou desemboca perfeitamente nessa discursão: ouvimos tanto falar de "make de desfile", mas sempre achamos que é algo totalmente impossível de ser traduzido na vida real. Mas é, e nunca foi tão fácil, por incrível que pareça: "A maquiagem de desfile é você se autorizar a fazer um olhão sem precisar fazer a pele, o que é muito legal", explica Julia. "Você não tem aquela obrigação de maquiar a cara toda para fazer um olho. Ela segue afirmando que finalmente nos soltamos para fazer algo que sempre aconteceu na moda - lá por estética, para a gente por questões práticas mesmo: "Você faz um olhão só com a pele hidratada e protegida, uma coisa leve, nada. Primeiro porque é muito moderno e legal - essa informação 'arrumada' no meio do nada. Eu gosto muito disso, é muito legal."

Conteúdo, conteúdo, conteúdo

Matheus contribui com mais um fator que estreitou muito nosso relacionamento com sombras coloridas durante a pandemia: a produção de conteúdo nas redes sociais.

"Acho que estamos tendo uma avalanche de conteúdo o dia inteiro. Todo mundo está produzindo conteúdo, mesmo quem não trabalha com isso. E querendo ou não, maquiagem é um artifício que chama atenção, né? Falo por mim mesmo. Eu dificilmente faço uma coisa básica hoje em dia porque acabo pensando: 'Eu tava desse jeito há dois dias atrás, não sei se vou me gostar tanto ou se vai ser tão divertido de ver se eu tiver com o mesmo olho rosa de novo', sabe? Então quando eu vou de alguma maneira tirar foto, gosto de me aventurar para ter esse desafio de não me manter estagnado. E acho que brincar com a cor e experimentar tem muito disso", ele conta.

"A gente está tão estagnado em tantos outros sentidos por conta dessa pandemia que se maquiar virou um momento de uma tela em branco, em que a gente pode fazer mais coisas. E olho é um lugar em que a gente tem mais possibilidades para explorar cor - é fácil inserir cor no olho", ele continua. "Essa ousadia que as pessoas que estão entrando agora nesse mundo da sombra adotaram - e que é a grande maioria durante essa pandemia -, é um jeito mais fácil de mastigar, de digerir essa informação".

E claro, tem a praticidade

Para além do que se vê para cima da máscara, é interessante pensar também em texturas: "A gente está indo para longe de coisas grudentas, pegajosas, meladas - por conta do coronavírus mesmo, para não grudar na máscara, por esses motivos mais práticos", diz Matheus. "Acho que uma sombra, por finalizar mais seca (a não ser que você esteja querendo fazer uma sombra mais glossy) é uma coisa mais prática para você usar na rua. Quando tenho que sair e só vou colocar a máscara eu só uso sombra - não passo mais blush, mais nada, e opto por essa textura mais sequinha".

Na maquiagem masculina

É impossível não citar também a efervescência de influenciadores de beleza que vêm nos ensinando cada vez mais a abraçar a liberdade quando se pensa em maquiagem, independente de gênero. Tássio de Santos é um deles: "Velho, é maquiagem. A gente não pode deixar a sociedade controlar nossos desejos. Quero me maquiar, quero postar no Instagram e quero receber meu biscoito", ele já contou aqui no nosso blog.

Tássio, assim como tantos outros influenciadores do Instagram, afastou para bem longe o olho colorido de qualquer rótulo de gênero ao não pareá-lo obrigatoriamente com uma maquiagem de drag - aquela bem completa, com cílios postiços, pele bem pesada, contorno, batom colorido... "Você tem homens fazendo maquiagem colorida sem que ela seja necessariamente uma expressão feminina. É algo mais artístico, mais pessoal. É mais uma maneira de se expressar do que querer fazer uma maquiagem perfeita ou emular uma maquiagem 'feminina'", concorda Julia.

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