Quarentena: viver bem... em família

"Nosso cérebro é feito para responder a situações de emergência, mas, quando a emergência continua, é necessário começar a desenvolver resiliência".

Filhos, família, cachorro, trabalho, tarefas de casa, cozinha, preocupação, reunião online: tudo junto, em quarentena, dentro de um apartamento. As crianças estão irritadas, a TV está sempre ligada, ninguém se concentra e todo mundo grita. É bem fácil cair nesse roteiro e viver com ainda mais dificuldade essa quarentena. Mas, ei, a gente tá aqui tá pra se ajudar, mesmo que à distância.

Vamos trocar figurinhas e deixar o ambiente de casa mais leve? A gente já falou por aqui o quanto ama os nossos filhos e também o quanto ama ter o horário da creche / escola. Administrá-los dentro de casa, da noite pro dia, por um período de tempo incerto, não é pra amadores.

Não é fácil pra nós pais (avós / tios / ...) mas tampouco é fácil pra eles, viu? Você viu as oito dicas divertidas que selecionamos?

Como explicar a quarentena?

Podemos fazer com que as crianças vivam bem esse momento - e damos cambalhota em cima de cambalhota, nos reinventando o tempo todo, o dia inteiro, pra que tudo vá bem. Mas, vamos falar a real? Não é tão simples quanto pode parecer na teoria. É por isso que pedimos um conselho à psicoterapeuta familiar Francesa Treccani que já nos falou sobre a importância de traçar uma rotina para viver bem na quarentena.

"É importante explicar esse momento para as crianças sem mentir, adaptando as palavras à idade da criança", aponta a psicóloga.

"Use esse tempo em família para liberar a criatividade inventando jogos e se divertir jogando. Até os adolescentes estão aprendendo a entender essa experiência, então vamos dar alguns pequenos trabalhos domésticos e envolvê-los na preparação de alguns pratos, talvez o favorito deles, preservando seus espaços íntimos e o encontro virtual com colegas".

"A família inteira pode conversar e compartilhar seus pensamentos, preocupações e acolher a tristeza de todos. Os pais são chamados a reler o humor positivo, de modo a permitir que as crianças não entrem no túnel do medo, bloqueando os efeitos negativos da ansiedade e promovendo uma abordagem mais proativa. Use a tecnologia para se aproximar da família e dos amigos por meio de videochamadas não monotemáticas, mas tentando falar sobre outra coisa para aliviar o humor", indica Francesca. Lembra quando a gente falou aqui na semana passada que se pode fazer uma videochamada para preparar com um bolo com a avó, ou para tomar o café da manhã no mesmo horário combinado, cada um na sua casa? Se pode ainda marcar com os amiguinhos um piquenique na sala de casa, todos em videochamada.

Breakslow / Unsplash

Se re-encontrar em família

"Recrie esse sentimento de pertencimento, quem eu sou e o que sou capaz de administrar e disponibilize-o para lidar com a angústia, a tristeza, o medo, tentando usar empatia e humor. Nosso cérebro é feito para responder a situações de emergência imediatamente, mas, quando a emergência continua, é necessário começar a desenvolver resiliência. É necessário adotar uma atitude construtiva, sem alienar a identidade de alguém, tentando usar nossos recursos de uma maneira útil, para nós e para aqueles que nos rodeiam".

"Uma tarefa que prescrevo a alguns de meus pacientes que enfrentam esse desafio com uma carga de ansiedade nos dias de hoje é preencher um caderno em que todos os dias eles se concentram no aqui e agora, respondendo a estas perguntas:
- O que você gosta em si mesmo?
- Quais recursos você está descobrindo?
- Onde você melhorou hoje em relação a ontem?
- Onde você sente que deseja melhorar?
- Em qual parte do seu corpo você sente esperança?", propõe a Dra. Francesca.

Essentia Living / Unsplash

"A mensagem que quero deixar é inspirada na etimologia da palavra "crise": como um momento de transição também pode ser uma oportunidade de crescimento. A crise como porta de entrada para um novo lugar, onde nunca antes a coragem de existir se fez sentir e, quando voltarmos à vida cotidiana, cada um de nós existirá mais, com uma nova autoconsciência e talvez mais autêntica. No Japão, durante o florescimento das cerejeiras "Hanami", a nação inteira para para admirá-la. O vírus nos parou para nos preparar para admirar o nosso florescer e direcionar o nosso olhar para algo que até agora não havíamos visto. Quando finalmente abrirmos a porta, o medo terá cedido à maravilha do novo e estaremos prontos para apreciar a beleza que floresceu em cada um de nós".

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