Compatibilidade na rotina de skincare: aprenda a fazer em casa!

Quando você insere um novo produto na sua rotina de skincare, pensa em sua compatibilidade com o que você já usa? A gente te ensina a fazer isso!

Compatibilidade entre produtos de skincare Foto: Kelly Sikkema/ Unsplash

Lembra que semana passada nós te demos algumas dicas sobre como inserir um novo cosmético na sua rotina de skincare? Mais do que indicar novos produtos, a ideia foi sugerir que, antes de mais nada, você olhe o que já tem. E vá com calma.

Isso posto, há outro fator a se levar em conta: a compatibilidade de fórmulas. Sim, porque nem todas combinam. Na verdade, uma pode remover completamente a outra, tirando todo o sentido do seu passo a passo. Para entender isso melhor, claro, conversamos com o Carlos Praes, responsável por pesquisa e desenvolvimento da Sallve.

Explicação de expert

"Quando a gente fala de produtos cosméticos, cada um leva na fórmula matérias primas específicas para dar um efeito. Essas matérias primas às vezes, para atuar, precisam de um pH específico", explica Carlos.

"O pH natural da pele gira em torno de 6,5. Mas para um ácido glicólico funcionar ele precisa estar no pH 3,5. Então você passa um hidratante com ácido glicólico, por exemplo, e na sequência um protetor solar que, para ser estável, usa polímeros. Só que esses polímeros não são compatíveis com o pH baixo do ácido que você passou antes. Quando você aplicar o protetor solar no rosto, precipita esse polímero. Então você acaba com uma textura pegajosa, que começa a esfarelar na pele. O problema não está nem no hidratante nem no protetor solar, e sim na combinação", exemplifica Carlos. (Para quem ficou com dúvida: polímeros são agentes que dão estrutura para as fórmulas, estabilizando-as, para que elas fiquem na consistência desejada e para formar um filme sobre a pele).

Compatibilidade feita em casa

O que o Carlos segue explicando é que, quando um químico está em um laboratório desenvolvendo a fórmula de um novo cosmético, ele testa todas as compatibilidades: óleos, emulsionantes (que juntam a fase aquosa com a fase oleosa), polímeros e daí por diante. Durante este processo, vai verificando-se a compatibilidade de cada um destes elementos. "O problema é que as pessoas fazem essa reação direto na pele, quando passam um produto por cima do outro".

Quer saber se seus produtos são compatíveis entre si? O Carlos dá boas dicas de executar em casa:

Teste na mão antes de passar na pele

Antes de passar um produto direto na pele sobre o outro, faça uma misturinha dos dois na palma da sua mão com o dedo. Se a mistura ficar homogênea, ótimo. Se a misturinha ficar com grumos, pegajosa ou começar a mudar de cor, você sabe que a sequência não é boa para aplicar na pele.

Gosta do óleo? Use ele sozinho

Se você usa produtos ricos em ativos, como séruns à base de vitamina C ou taninos, hidratantes, despigmentantes ou para o tratamento da acne, não aplique diretamente sobre eles qualquer óleo. "Ou você aplica o sérum hidratante, ou o óleo. Se você aplica o óleo depois, simplesmente tira o que passou antes na pele", explica Carlos, dando o exemplo dos óleos demaquilantes, tão comuns. "O processo é o mesmo. O óleo retira o que estava na pele antes". Resultado? Você acabou de passar o sérum e imediatamente o retirou com o óleo que passou em seguida, ao invés de hidratar ainda mais sua pele. "Se um óleo serve como removedor, é lógica: qualquer produto muito oleoso por cima dos outros vai remover as camadas anteriores", continua Carlos. "São tratamentos diferentes. Se você usa creme hidratante, deixe o óleo para outro dia. Alterne os dois, pois juntos não são compatíveis".

Na prática? Se você não abre mão do seu ácido glicólico, por exemplo, concentre o uso do ativo em um tônico ao invés de um hidratante, no dia em que for usar óleo. Deixe a pele absorver o tônico, enquanto a pele regulariza o pH, e em seguida aplique o óleo ou o protetor solar.

Dê intervalos de alguns minutos entre uma camada e outra

Para tirar o maior proveito de cada fórmula, espere de três a cinco minutos entre a aplicação dos produtos. "Assim você dá tempo da pele absorver todos os componentes, interagir e a fórmula se acomodar", ensina Carlos.

A mesma regra vale para os polifenóis, que são super antioxidantes, como por exemplo o extrato de uva. Depois de aplicar produtos à base de polifenóis, espere a camada secar antes de usar outros com pH muito próximo de sete, como o protetor solar.

Diferença de pH: não misture muito alto com muito baixo

Um dos grandes problemas de interação de produtos é a base de pH em que eles foram feitos. Tem dúvida? "A maioria dos produtos cosméticos que usamos diariamente (como protetor solar) tem pH entre 6,5 e 7. Os alfahidroxiácidos tem pH mais baixo. Então um seguido do outro não vai funcionar.

Alfahidroxiácidos x filtro solar: não combinam!

Hidratantes a base de alfahidroxiácidos (ácido glicólico, lático e salicílico, por exemplo) não funcionam com filtro solar. Deixe o componente para os tônicos: "Passe o tônico, deixe secar e passe o filtro solar. Você pode usar outro hidratante, entre as duas etapas, é só fazer o teste na mão. Mas se ele tiver alfahidroxiácidos em sua fórmula, não vai combinar tão bem com nenhum filtro solar", explica Carlos.

Quer um exemplo de passo a passo que funciona? Lave o rosto, concentre o alfahidroxiácido no tônico, siga com um sérum hidratante a base de água termal ou minerais, por exemplo, e finalize com o filtro solar, dando alguns minutinhos entre cada etapa.

Parece complicado, mas é muito mais fácil do que se imagina. Concluindo, é só ter calma antes de sair passando novos produtos no rosto. Com isso em mente, seguir as dicas fica muito menos complicado!

Lembrando sempre: consultar um dermatologista é sempre a opção mais correta para cuidar da sua pele.

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