Depressão, tristeza e ansiedade: o dia em que eles derrubaram minha pele

Não adianta nada ter os melhores produtos: depressão, tristeza e ansiedade acabam vencendo qualquer ácido glicólico. E o dia em que a gente descobre isso... Se descobre um pouco mais também.

Há cerca de um ano e meio descobri todo o poder inigualável do ácido glicólico. Usar cosméticos à base do ativo diminuíram a aparência das minhas cicatrizes de acne, melhoraram a textura da minha pele e conferiram a ela um viço tão natural que eu, de repente, me olhei no espelho e me dei conta de que estava enxergando minha pele linda pela primeira vez. Eu comecei a usar bases mais levinhas e passei a curtir mais e mais (ainda) caprichar no skincare. Fazer as pazes com a minha pele foi um sentimento maravilhoso.

Faz alguns meses, porém, que minha pele se rebelou de novo. O viço sumiu, as cicatrizes voltaram a me incomodar, a textura piorou. Possivelmente não por coincidência, foi uma época em que resolvi testar novos tônicos e ativos meio que sem preparar minha pele para isso. Espinhas começaram a aparecer e nada de qualquer novo produto fazer efeito.

Voltei para os meus tônicos antigos, caprichados no ácido glicólico: "Ah, agora melhora". O tempo foi passando e minha pele, que andava fazendo meus olhos brilharem em frente ao espelho, não respondia.

Eu me lembro o momento exato em que um dia eu acordei, abri os olhos e não quis me levantar da cama. Vontade zero. Acendeu aquela luz vermelha na minha cabeça e a triste sensação de reconhecer perfeitamente o que eu estava sentindo: uma tristeza, uma melancolia, que tinham tirado de mim a vontade de fazer qualquer coisa.

Levantei-me, segui meu dia e, a noite, depois do banho, me olhando no espelho, me dei conta: quando tinha sido a última vez que eu tinha seguido a risca minha rotina de cuidados com a pele? Quando tinha sido a última vez que eu realmente cuidei dela com carinho, com tempo, com a cabeça leve e no lugar? Eu não conseguia me lembrar. 

No dia desse zeitgeist eu comecei a enxergar tudo: eu simplesmente abandonei a minha pele porque estava profundamente infeliz, e a causa disso era bem evidente. Em questão de seis meses eu engordei muito. Minhas roupas já não me cabiam ou não me vestiam como eu gostava, eu comecei a me sentir mais pesada, menos disposta. Eu me vi triste mesmo, e essa tristeza foi tomando conta de absolutamente tudo. Da minha pele inclusive.

Não adianta: a gente pode ter os melhores produtos, a gente pode até seguir mecanicamente até certo ponto (sabonete-tônico-sérum-hidrante-filtro-solar-repeat!), mas sabe quando dizem que os olhos são o espelho da alma?
A pele é exatamente isso também. A minha me sinalizou ali, para eu ver claramente em frente a um espelho enorme, que eu não estava bem, e que tinha feito a besteira de deixar os quilos a mais derrubarem a relação mais valiosa que eu tinha criado: a minha comigo mesma.

Não existe nada pior para a alma e para a pele do que não se gostar. A gente fala demais aqui sobre o skincare ser um carinho, um momento seu com você apenas, e eu fui prova viva da importância desse carinho. Se dar conta disso é uma revolução. É entender que o que parece supérfluo é na verdade saúde: física e mental. 

Desde que tive esse "ah-ha! moment", como cunhou a rainha do mundo, Oprah, comecei a trilhar um caminho de volta para mim mesma. Comecei a me cuidar de novo e entender que o peso da gente flutua mesmo (segundo a Rihanna, isso é um privilégio, guardem a lição!). E que dependermos apenas de um número na balança para viver de boas é uma roubada sem tamanho.

Minha pele continua um pouco temperamental, mesmo eu repetindo para ela tantas vezes que "we were on a break", mas ela vem respondendo, no tempo dela. Tudo bem: eu vou tentando, com paciência, até fazermos as pazes de vez. 

vamos conversar?