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Terminologias do skincare que estão com os dias contados

Antienvelhecimento, clareador, antirrugas e outros termos do skincare estão sendo banidos: por questões técnicas mas também por um diálogo cada vez mais latente, que pede por menos opressão e mais carinho.

Foto: Loren Joseph/ Unsplash Lembra de quando as maiores reclamações quanto à indústria de cosméticos girava em torno de campanhas enganosas? Eram rímeis que prometiam cílios de bonecas mas que nada mais eram do que obra do Photoshop mesmo?

Em pleno 2019, a conversa se expandiu bastante, graças a uma série de fatores. Talvez o mais proeminente deles seja um diálogo cada vez mais frequente - impulsionado pelo poder das redes sociais - sobre o que ainda rola ou não rola nos dias de hoje.

Neste clima que cada vez mais abre nossos olhos para o que até outro dia a gente engolia sem nem titubear, algumas terminologias do skincare foram caindo por água abaixo. Você sabia que termos como "antienvelhecimento" ou "antirrugas" foram proibidos não só no mercado de cosméticos estrangeiro como pela Anvisa aqui no Brasil também?

Segundo Carlos Praes, responsável por pesquisa e desenvolvimento da Sallve (e nosso Mestre Yoda das químicas), existe uma intensa evolução dos órgãos reguladores e maior entendimento do consumidor sobre os termos de rotulagem. Isso acontece principalmente para separar o que é um medicamento de um benefício cosmético ou não induzir o consumidor por uma compra por medo.

A tendência vem de fora, e leva em conta ainda outros fatores: "Internacionalmente, promessas como um produto que retarda o envelhecimento ou que regenera sua pele em 20 anos foram tachados de 'over-promised' [ou seja, promessa impossível de ser cumprida]."

Na Inglaterra, em 2018, a Sociedade Real pela Saúde Pública se pronunciou publicamente em um pedido à indústria de beleza e cosméticos pedindo o fim do uso do termo "anti-aging", alegando que ele tem um impacto bem profundo na saúde mental do público. "Vimos o quão valioso um olhar otimista quanto ao envelhecimento pode ser para a saúde pessoal e bem estar. Ao mesmo tempo, todos os dias, em tantas conversas informadas pela mídia, temos exemplos de uma linguagem que trivializa, vilaniza ou transforma em catástrofe o processo de envelhecimento", dizia o relatório do órgão.

Carlos ainda cita mais uma proibição que será implementada na Europa já em julho de 2019: a partir do ano que vem, o termo "free from", ou "livre de" será proibido de todo e qualquer rótulo. A alegação é que o termo incita a tal compra por medo. 

Todos estes trâmites dos bastidores da indústria ressonam com o que todos nós andamos cobrando das marcas e das mídias que tratam sobre beleza e todas as suas ramificações.

Nós amamos o universo da beleza sim, mas não queremos mais opressão - nem nossa e nem dos outros. A gente quer inclusão, quer um ambiente cada vez mais livre de racismo (seja ele sistêmico ou qualquer outro), quer liberdade. E quer ainda bem-estar, saúde, transparência. Sim, queremos tudo ao mesmo tempo agora.

Depois de décadas e mais décadas ouvindo falar em "anti-idade", foi como se a gente tivesse parado para pensar que tanta repressão em torno do envelhecimento (feminino, que fique muito claro) precisa acabar e já. Lembro sempre da Jamie Lee Curtis, há quase dez anos, falando que ficava irritadíssima com o fato de que a indústria cosmética tratava o envelhecimento sempre atrelado ao termo "anti". "Envelhecer é a evolução humana em sua forma mais pura", ela decretou. 

A gente pode querer cuidar da nossa pele, usar produtos para sentir nossas linhas finas mais tênues? Pode, óbvio. Só não precisamos tratar o envelhecimento como um vilão que precisamos evitar a todo e qualquer custo.

Em 2017, a Allure, possivelmente maior revista de beleza do mundo, aboliu de suas páginas o termo "anti-aging", o que gerou um efeito dominó de muitos outros veículos e marcas repensando o termo.

"A obsessão da sociedade com a aparência da mulher é muito menos sobre beleza do que sobre uma obediência a um padrão externo punitivo - e poder. Quando mulheres competem para 'ficarem jovens', alimentam sua própria perda de empoderamento", escreveu Ashton Applewhite em uma matéria no New York Times sobre abolir a ideia do "anti" quando se fala de envelhecimento.

Talvez nunca tenhamos pensado sob esse prisma, mas se pararmos um pouquinho para pensar, faz bastante sentido sim. Acredito que a gente esteja vendo, mais do que uma nova geração millennial, X, Y, Z ou seja lá qual for, uma geração mais velha, de mulheres incríveis, divas em todos os sentidos, que resolveram ser sinceras sobre o processo - pela primeira vez no showbiz? -, o que ecoa bem com toda a discussão que não tem prazo de validade nas redes sociais.

Aqui na Sallve, nós também não usamos também o termo "clareador" para qualquer cosmético. O termo super problemático, além de tudo é enganoso: cosmético nenhum clareia a pele. Pode tirar manchas, mas clarear a pele é um conceito tão carregado de racismo e histórias traumáticas que, olha que bom, também já não é mais usado.

A gente acha que toda essa conversa que permeia as redes sociais, conversas de bar e discussões em torno de filmes ou campanhas problemáticas não servem para muita coisa, né? Servem sim. Servem para evoluir todas as indústrias. A de cosméticos, especialmente, merece e precisa evoluir - até para perder seu estigma de opressão, e enxergar o que até outro dia não se via.

Por que a gente sabe que, pelo menos nesse cantinho que criamos para nós, skincare, se não for levado com muita leveza, nem vale à pena.
É pra te fazer bem, em todos os sentidos.

vamos conversar?