Sobre tempo e aprendizados

Sobre tempo e aprendizados

Claudia Lima bate um papo sobre o tempo e os aprendizados que ele traz numa conversa deliciosa e exclusiva para o blog da Sallve.

Por: Claudia Lima (@claudialima)

Como você encara a passagem do tempo? Para muita gente, é impossível não fazer o exercício de imaginar como estará daqui a dez, 15, 20 anos. Eu acho que posso dizer que não tenho medo do tempo. Não encaro a passagem dos anos como algo ruim, ao contrário. Aos 52 anos, eu me sinto a mesma pessoa que eu sempre fui: continuo gostando de rap, de dançar (sou inimiga do fim), de ver shows das minhas bandas favoritas.

Mas uma coisa é fato: para mim, os anos vêm trazendo mais segurança em muitos aspectos da vida. Por exemplo: já não encano mais por não ter o corpo deste ou daquele jeito. Se não estou afim, troco lindamente uma balada pelo quentinho do sofá e uma taça de vinho. Também não fico obcecada se seus peitos já não passam incólumes pelo "teste do lápis" (alguém lembra disso?). Cuido da minha saúde, do meu bem-estar, mas sou assim e pronto.

O tempo pra mim hoje tem um significado diferente. É meio clichê, mas é verdade: há um sentimento de urgência maior. E não é por achar que não temos mais tempo, muito pelo contrário. É mais uma euforia quase adolescente de fazer tudo o que tivemos vontade e ainda não fizemos. Eu por exemplo, penso muito (com orgulho!) nas coisas que realizei, mas muito mais no que ainda quero fazer, nos projetos que quero realizar, no que eu preciso aprender, os lugares que quero conhecer…

E também naquilo que não quero mais: com a maturidade, a gente finalmente aprende o que não serve mais e retoma aquela coragem juvenil que nos faz abrir espaço para o que é novo e bom pra gente. De largar um emprego chato a entrar em discussões que não valem a pena até cortar amizades tóxicas, chega uma hora em que a gente deixa tudo isso pra trás. Claro que nem tudo são flores no caminho, mas a gente aprende a ser vulnerável quando é necessário, sem medo nem vergonha.
Posso estar divagando demais, mas neste momento da minha vida, acho que aquela frase do Guimarães Rosa nunca fez tanto sentido: "O que a vida quer da gente é coragem". E eu estou indo!

E vocês? Como encaram a passagem do tempo?

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