Corretivo? Que corretivo? Ou: o dia em que passei a curtir minhas olheiras

Um dia acordei e me liguei que não usava corretivo há anos. Teria eu feito as pazes com minhas olheiras? Olha que eu acho que sim, hein?

Foto: Alia Wilhehm/ Unsplash

Outro dia estava aqui, passando minha maquiagem para sair quando, ao pegar minha canetinha iluminadora, por algum motivo senti saudade de passar um corretivo. Procurei nas minhas gavetas, nos meus potinhos, nada. Foi quando me toquei: eu nem me lembrava da última vez que havia usado corretivo. Fazia tanto tempo que eu nem me lembrava mais onde ele estava guardado.

Achei. E me lembrei então do momento exato em que eu o comprei: na semana seguinte ao nascimento da minha segunda filha, me sentindo cansada e querendo dar aquela moral na autoestima. Detalhe: minha segunda filha fez cinco anos há menos de dois meses. Meu corretivo tinha cinco anos. Ainda tinha muito produto dentro do tubo (mais uma prova de que ao longo dos últimos cinco anos o usei muito pouco. Prova também de que cinco anos depois, não era nada seguro continuar usando-o).

Lembro-me bem também de quando eu não imaginava sair de casa sem pelo menos um corretivo nos olhos. Era primordial controlar a aparência de minhas olheiras - fundas, escuras, que dão aquela diminuída nada bem-vinda nos meus olhos e me deixam com cara, sempre, de quem podia ter dormido pelo menos mais uma horinha por noite.

Mas será que era isso tudo mesmo? Fato é que, algum tempo após o nascimento da minha segunda filha, eu comecei a me desligar da obrigatoriedade de passar corretivo. Em algum momento eu passei a preferir canetinhas iluminadoras (como uma que tenho, minha favorita, que é creminho hidratante para os olhos de um lado, iluminador levinho do outro). E que, de tanto que deu certo, eu passei anos sem nem me tocar que não estava mais cobrindo minhas olheiras.

O que acho que rolou também foi que eu comecei a me concentrar tanto no cuidado com a minha pele que menos passos obrigatórios (no bom sentido, gente!) na minha maquiagem foi se tornando algo natural. Eu tava curtindo a textura da minha pele, tava curtindo ela super hidratada e mais viçosa... O que eram olheiras perto de tanta glória cutânea?

Nada.

Na verdade, elas foram se infiltrando tanto no meu dia a dia que foram se tornando meio que parte do que eu via todo dia no espelho, e tava tudo bem. Lembrei da Leandra Medine, que, ao fazer um post ótimo sobre por que não usa maquiagem, escreveu: "Sei que tenho grandes e escuras olheiras abaixo dos meus olhos. Com o tempo, passei a apreciá-las". E sabe que eu meio que curto as minhas? Tem horas que acho meio beatnik, tem horas que acho meio rocker, tem horas que acho que dão um ar meio cool à maquiagem, tem horas que AAARGHHH! Tem horas que eu meio que não quero elas ali?

Foi o que rolou neste dia, em frente ao espelho, quando senti vontade de experimentar com o corretivo de novo e vi o meu em estado fossilizado, praticamente paleolítico. Mas quer saber? Me diverti tanto a procura de um novo! E quando achei, gente, olha que demais: eu, que sempre corri atrás de um corretivo mágico, pigmentadíssimo, que cobrisse to-tal-men-te as minhas olheiras, me vi na dúvida entre dois: um nesse perfil e outro bem levinho, misturado com hidratante e cobertura bem mais suave.

Levei os dois. Sabe-se lá como vou acordar todos os dias. Essa que é a maior graça: a gente não saber. E a gente ter liberdade de deixar os dias irem levando a gente pela mão. Quem bom que tem tanta ferramenta divertida para todas as opções!

vamos conversar?