"Não existe cabelo ruim", por Duda Buchmann

Por que expressões como "cabelo ruim" ainda são escutadas? A Duda Buchmann está aqui para te propor uma mudança antirracista no vocabulário.

O combate ao racismo é urgente e sempre muito bem-vindo por aqui. São tantas as vozes e tantas as informações que precisam de mais espaço para circular, sempre. Dessa vez quem vem aqui é a Duda Buchmann @negraecrespa, do Rio Grande do Sul, e propõe uma mudança no vocabulário.

"Já parou pra pensar quantos termos com origem racista você usa no dia a dia, sem saber? Alguns já estão enraizados no nosso vocabulário, mas não é por isso que devemos prosseguir. Essa reflexão pode iniciar a sua busca no antirracismo", explica a Duda. Ela selecionou alguns termos que ainda são muito usados e propõe como substitui-los. Em alguns casos não se trata nem mesmo de buscar palavras equivalentes mas de risca-los completamente da nossa comunicação.

É hora de rever o vocabulário

Cabelo ruim / pixaim / duro / bombril: Não existe cabelo ruim! Existe cabelo afro, crespo, cacheado.

Denegrir: Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra denegrir é definida por "tornar negro, escurecer". Quem sabe você substitui o termo por "difamar"?

Mulata: A palavra vem de mula, um ser híbrido originado pela reprodução de jumento com égua. Correspondia ao filho do homem branco com mulher negra. A solução é: esqueça palavras como mulato, moreno (pele) e pardo. Se refira como preto ou negro. Dentro da população negra temos diversos tons de pele e, apesar dos privilégios que existem com pessoas de tons mais claros, ninguém é mais ou menos negro.

A coisa tá preta: Você já ouviu alguém dizer isso quando as coisas começam a ficar ruins, certo? E novamente traz a imagem do preto ou negro como desagradável. Dizer "a coisa tá ruim" já basta.

Não sou tuas negas: Associa a mulher negra como objeto, como ser que deve servir outro, ou que faz tudo. Talvez um "se vira" já dê conta do recado.

Inveja branca: A ideia do branco como algo positivo é impregnada nessa expressão. A intenção é amenizar um sentimento que é ruim.

Da cor do pecado: Normalmente usada como elogio, refere-se a uma pele branca bronzeada. É uma total objetificação do corpo negro.

Serviço de preto: Usada quando o trabalho foi mal realizado. Insinua a desqualificação do negro. Por que não dizer simplesmente que o serviço não foi bem feito?

Dia de branco: É um termo referente ao dia de trabalho.

Minha Deusa é Negra

A luta antirracista de Duda ganhou também uma ilustração, intitulada "Minha Deusa é Negra". É ela que foi estampada na camiseta que ela fez em parceria com a marca gaúcha Eufrida e o lucro da Duda com a venda das camisetas é destinado ao Instituto Marielle Franco.

"A estampa tem cinco das minhas maiores inspirações como mulher negra: Taís Araújo, Marielle Franco, Viola Davis, Beyoncé e Rihanna. São inspiração pra mim e para tantas outras, são fundamentais para a sociedade atual, permitindo que muitas mulheres possam sonhar e se sentirem incluídas. Beyoncé tem a seriedade e plenitude, Viola a representatividade da mulher sexy, forte de uma atriz que pode representar todos os papéis possíveis, Taís nossa Viola brasileira abrindo portas para tantas, Marielle que brotou sementes políticas em todas nós e Rihanna que inclui todas as mulheres em todos seus trabalhos. Além disso, me preocupei em fazer a collab com uma marca que atenda diversos tamanhos e que tenha uma linha de pensamentos consciente e acessível", nos explicou a Duda.

Quer saber mais da luta antirracista? Veja a turma sensacional que já passou por aqui: A Gabi Oliveira já nos preparou uma série de dicas para quem quer se informar mais; a Cecília Boechat compartilhou as suas oito táticas de re-existência; o Tássio Santos, do Herdeira da Beleza, reuniu marcas de maquiagens criadas por mulheres negras, para apoiarmos o afro empreededorismo.

Tantas outras vozes já passaram também pelo nosso Instagram: o maravilhoso Silvestre Lucas que falou sem medo quem ele é; a Morena Mariah nos apresentou o afrofuturismo; a celebração da beleza por Stella Chidozie; e Nataly Neri conversou sobre qualidade de vida para pessoas negras. Ainda: a Luane Dias falou sobre autoestima negra; a psicanalista Mara Gomes sobre saúde mental; e a Luci Gonçalves  sobre como o autoconhecimento é necessário na luta antirracista.

vamos conversar?

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