O mundo está envelhecendo de um jeito totalmente novo. E como fica a indústria da beleza?

O mundo está oficialmente envelhecendo e, mais importante que isso, de um jeito totalmente novo. Entenda o processo e como a indústria da beleza está se adaptando (e precisa se adaptar muito ainda!) a ele.

Foto: Luis Machado/ Unsplash

Muito se fala sobre o consumidor millennial, ou a geração Z, e como eles impulsionam as vendas. As duas gerações são vistas como verdadeiras minas de ouro: se você acertar no alvo, sua marca está garantida.

A indústria da beleza, porém, não vive apenas deles, claro. Desde sempre existe o nicho dos produtos para peles maduras, que até outro dia tinham como maior objetivo agirem como "antiidade" - um termo que já está caindo em desuso por uma série de fatores.

Só que essa conversa não só precisa mudar (e já está mudando, a gente espera), como precisa ser vista com muito mais carinho. Isso porque a mina de ouro de todo e qualquer mercado, no futuro, deve ser justamente esta faixa etária mais madura.

site Cosmetic Innovation publicou uma matéria falando sobre o "boom da longevidade" e como se transformará na maior mola propulsora das macrotendências de mercado do futuro.

Os dados são os seguintes: em 2019, pela primeira vez na história, teremos mais pessoas com mais de 65 anos no planeta do que crianças com até quatro anos. Até 2030, mais de 990 milhões de pessoas terão mais de 65 anos, e a expectativa de vida subirá de 66,7 anos (em 2000) para 74,4 anos. Entre a população com mais de 65 anos, o grupo que mais vai crescer neste mesmo período é de pessoas entre 75 e 79 anos.

Ou seja: o mundo está, oficialmente, envelhecendo. Mais importante: sua vida útil está ficando mais longa e seu estilo de vida será completamente diferente da mesma geração que viveu anteriormente. Cada vez mais, idosos têm recursos e saúde para fazerem viagens, reformar a casa e fazer suas compras. E o mercado, por sua vez, precisa se adaptar a esta nova realidade se quer seguir bem das pernas. No Reino Unido, para você ter uma ideia, 47% dos gastos dos consumidores corresponde à população com mais de 50 anos.

Você pode incluir tudo aí: pacotes de viagens adaptados para pessoas mais velhas, um molde de varejo que facilite a entrega dos produtos (esqueça a avó pedindo ajuda com internet, ela vai tranquilamente poder fazer tudo sozinha, e mais ainda: vai querer fazê-lo!)... Tudo promete ser influenciado por este "boom da longevidade". 

Na beleza, é fácil sentir isso na parte de comunicação: campanhas com modelos mais velhas são cada vez mais constantes (com menos retoques) e, na arte, não há qualquer ambição de fazer com que elas pareçam mais jovens. Há campanhas, atualmente, em que modelos com mais de 50 anos aparecem com a pele luminosa e batom vermelho bem forte, mais estilosas, mostrando sua personalidade, sendo bonitas assumindo sua idade, seja ela qual for.

"Acho que o futuro vai ser menos sobre idade e mais sobre sua atitude sobre a vida e como você se expressa", Millie Kendall, CEO da ONG British Beauty Council, em uma matéria do The Guardian sobre o assunto. "Não temos vergonha das mudanças acontecendo no nosso cabelo, rosto e corpo, e queremos que as marcas respeitem isso", Renia Jaz, de 53 anos, do Instagram @venswifestyle, dedicado à beleza madura. "A imagem da mulher madura que está no subconsciente da sociedade há tantos anos está ultrapassada. Queremos ser representadas por mulheres como nós, reais", continua. "Mulheres com mais de 50 anos não são unicórnios. Somos consumidoras e sabemos o que queremos".

É hora de abrir os olhos, os ouvidos, o peito e ouvir. O caminho está traçado, e precisa ser revolucionado. Que venha a revolução!

vamos conversar?