Reciclagem de cosméticos é necessária: saiba como fazer

Descartar incorretamente potencializa a poluição ambiental

O Brasil é um dos maiores consumidores de produtos de beleza no mundo, atrás de Estados Unidos, China e Japão. Ou seja, a quantidade de lixo gerada só pode ser enorme, causando um problemão para o meio ambiente. Portanto, reciclar é preciso! Assim como observar com cuidado as embalagens dos produtos que você escolhe.

Crédito: Vivianne Lemay/Unsplash

“É importante garantir que as embalagens e produtos que consumimos tenham uma destinação ambientalmente adequada, uma vez que, o descarte incorreto potencializa a poluição terrestre e de mares e oceanos. Bem como contribui para a diminuição da vida útil de aterros sanitários”, alerta Gabriella Rocha, da TerraCycle, empresa que ajuda a desenvolver soluções ambientais para produtos e embalagens de difícil reciclagem.

O que observar?

O primeiro passo na hora de reciclar é observar se as embalagens de seus produtos tão queridos são recicláveis, se tem aquele famoso símbolo que você já deve conhecer muito bem. Vidro, metal, papel e plástico são as matérias-primas recicláveis.

“Considerando que os cosméticos são produtos de uso contínuo, o volume gerado em um curto espaço de tempo é significativo. Sendo assim, o mais adequado seria buscar sempre por produtos que tenham embalagem primárias compostas por o menor número de materiais possíveis, uma vez que a complexidade das embalagens é uma das principais barreiras para a sua reciclagem. Um exemplo é o pó compacto, produto que combina materiais como plástico, alumínio, vidro e esponja. Uma alternativa seria simplificar o desenvolvimento da embalagem, utilizando preferencialmente um único tipo de matéria-prima. Outra opção seria utilizar matérias-primas sustentáveis como o bambu ou alumínio”, explica Gabriella.

Além do símbolo de reciclagem, você também deve ter notado que esse sinal pode vir acompanhado de um número no centro. É esse número que indica exatamente qual é o material usado na embalagem. Muitas vezes, ainda vem especificado qual é o material em cada parte da embalagem. Como no caso do Antioxidante Hidratante da Sallve, a tampa é de PP (Polipropileno), enquanto o tubo é de PEAD (polietileno de alta densidade) e PEBD (Polietileno de baixa densidade). Veja na foto:

Sallve

“No momento da compra, fora os materiais que são visivelmente diferentes, se a embalagem for feita de plástico é importante verificar a categoria (numeração) em que ele se enquadra, informação que deve aparecer na própria embalagem”, completa a especialista da TerraCycle.

E sabe por que é bacana você saber do que é feita a embalagem? Pois é assim que você sabe se esse material tem procura no mercado de reciclagem, como é o caso da PET (tereftalato de polietileno), PEAD (polietileno de alta densidade) e PP (Polipropileno), por exemplo. “Independentemente de ter (o símbolo de) reciclável ou não, tem que ver também se tem reciclabilidade dessa embalagem. Se tem mercado para ela”, explica Cristiano Cardoso, da cooperativa Recifavela, de São Paulo.  

“Acho que uma coisa importante é a matéria-prima, em vez de PS usar PP ou PEAD seria uma grande vantagem. O PS, que pode aparecer na questão dos cosméticos, é de venda muito difícil. Então, seria melhor ou PP ou PEAD, por exemplo”, alerta ainda. 

Precisa lavar?

Crédito: Pexels

Quem responde é Cristiano Cardoso, da Recifavela. “A gente não pede para lavar nenhuma embalagem, só se for água de reuso. Se não for, não lava. Mesmo que tenha uma substância tóxica ou qualquer substância, a fábrica já está encarregada de fazer esse processo. A embalagem precisa estar vazia, só isso”, afirma.

“Se a gente estiver usando água potável, a gente vai contaminar essa água limpa, desperdiçando. Além disso, a fábrica já vai fazer essa lavagem. Esse é o primeiro processo. Em qualquer processo de plástico, o primeiro passo é a lavagem”, explica. Se você quiser saber mais sobre esse tema, o Cristiano explica em um vídeo compartilhado na página do Facebook da cooperativa.

Só a coleta seletiva é suficiente?

Infelizmente, não. Mas é um começo. “A realidade do Brasil no quesito resíduos sólidos é que somente 22% dos municípios no país têm algum tipo de coleta seletiva, ou seja, não necessariamente conseguem coletar na cidade inteira e/ou a separação dos resíduos é apenas entre seco e molhado. Além disso, há um senso comum de que São Paulo é muito mais avançado em certos aspectos do que os demais estados, contudo, temos cidades litorâneas que sequer possuem o serviço de coleta seletiva”, explica Gabriella Rocha.

Considerando que o município faça a coleta dos recicláveis, há o próximo passo que é ter uma central de triagem e/ou cooperativas que receberão estes resíduos e separarão aquilo que tem valor comercial. “Neste momento, a composição dos produtos colocados no mercado será crucial para decidir se irá para reciclagem ou para o aterro sanitário (por vezes, quando não há na cidade, acabam em lixões a céu aberto). Se na etapa de separação, os cooperados se depararem com produtos usando compostos por camadas de diferentes materiais, como por exemplo, tubo de pasta de dente (plástico e alumínio), este resíduo será encaminhado para o aterro, uma vez que separá-lo manualmente além de extremamente difícil, não é economicamente viável para a Cooperativa. Lembrando que os cooperados são pagos por quilos coletados e separados, e não por hora”, aponta.

Crédito: Raw Pixel

"Quanto as empresas, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) estabelece que todos os atores da cadeia são co-responsáveis pela destinação ambientalmente adequada dos produtos e embalagens usadas, isto é, desde o fabricante, distribuidor, varejista até o consumidor final. Contudo, os fabricantes estão sendo cobrados pelo governo para disponibilizar aos consumidores um sistema de logística reversa de seus produtos. Por fim, não só as empresas podem ajudar na reciclagem, como são obrigadas a isso, referente aos seus próprios produtos", completa.

O que mais pode ser feito?

Comprar conscientemente é sempre uma opção viável e saudável (pra você e para o meio ambiente também). “O Brasil, especialmente, consome muito cosméticos. Vivemos em uma sociedade que te estimula a comprar maquiagens, cremes, hidratantes, xampus milagrosos. Isso faz parte do modelo de capitalismo que a gente vive por aqui e precisamos pensar: "eu realmente preciso disso?", "de onde vem" e, claro, "pra onde vai". Cosméticos podem ter muitas toxinas e poluir lençóis freáticos e o solo quando têm sua embalagem descartada incorretamente”, diz Marina Macucci, diretora de conteúdo do Menos 1 Lixo.

Crédito: Hamza Javaid/Unsplash

Além disso, você pode observar se a empresa tem um projeto em que é possível devolver a embalagem vazia. “É sempre bom checar com a empresa que você comprou se dá pra retornar a embalagem e se eles vão reutilizar ou reciclar. Muitas marcas já aceitam embalagens de volta”, conta Marina.

Quer mais? Temos mais! Além dessa opção, você pode notar se a empresa tem algum selo de compensação ambiental, por exemplo. Isso indica também que ela está preocupada com o impacto ambiental que causa. 

Tem alguma dica, dúvida ou sugestão? Fale com a Sallve. A gente adora trocar experiências!

 

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