É vilão ou é bonzinho? Entenda a função do álcool nos cosméticos

Eles podem ter uma cadeia longa ou curta, serem sintéticos ou de origem natural

Por que usamos álcool nos cosméticos? Já parou para pensar qual a função desse ingrediente que sempre está por aí nas formulações? Pois bem, primeiro, se você já logo acha que eles são os responsáveis por ressecar a pele, isso pode ser, sim, verdade. Mas vamos com calma para entender melhor o motivo de alguns cosméticos e dermocosméticos usarem a substância nas fórmulas, ok?!

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O que é?

É uma classe de molécula química. A classificação dos álcoois se dá de acordo com o tamanho de sua cadeia, dependendo do número de átomos de carbono. Simplificando, temos os álcoois de cadeia curta (isopropílico, etanol, metanol, benzílico), que conferem maior chance de ressecamento, e os álcoois de cadeia longa (cetílico, miristílico), também conhecidos como álcoois gordos. Eles podem ser sintéticos ou de origem natural, como os extraídos de cereais.

“O álcool usado na indústria cosmética mais conhecido é o etanol, que também pode ser chamado de alcohol, alcohol denaturated ou alcohol denat. Ele é o responsável pelos produtos em gel e líquidos, que evaporam rapidamente na pele. Entretanto, há álcoois combinados com ácidos graxos, ou seja, gorduras, o que torna o ingrediente versátil ao se combinar tanto com substâncias que se ligam em água, como as que se ligam nas gorduras. Esses agentes possuem consistência cremosa e um exemplo de uso comum é o álcool cetílico e álcool cetoestearílico”, esclarece a Dra. Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O que fazem nas fórmulas?

Tudo depende do tipo de álcool usado. O etanol é usado nas fórmulas dermatológicas com a função de veículo, ou seja, de facilitar a entrada de um ativo na pele. Além disso, auxilia no “desengorduramento” cutâneo, por desestruturar a ligação entre as células das camadas superficiais da pele. Assim, apresenta a função adstringente e/ou solvente.

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O álcool ainda é considerado um bom conservante, para inibir o crescimento de fungos e bactérias. Outra característica do álcool de cadeia curta (etanol) é secar rápido após a aplicação, permitindo criar produtos que deixam a pele com toque seco e uma sensação de leveza.

E o ressecamento?

“A grande maioria dos tipos de álcool causa ressecamento da pele. Isso porque é capaz de remover a camada de gordura (manto lipídico), que tem a função de proteção entre o ambiente e as camadas mais profundas da pele. Isso compromete a capacidade de se manter hidratada e pode fazer com que substâncias indesejáveis consigam penetrar na pele”, conta a Dra. Paola Pomerantzeff, também membro da SBD.

Em concentrações inadequadas, pode provocar ressecamento extremo e até dermatite (alergia) de contato. Por isso, é importante saber o tipo de álcool e qual sua concentração no produto.

“Cada tipo de cosmético apresenta um limite específico permitido pela ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esse limite varia de acordo com o álcool e veículo (creme / loção/ xampu) utilizados, com a área a ser tratada (rosto / corpo / cabelos), tipo de pele (oleosa / mista / seca). Como não há um único nível de concentração de álcool seguro para todos os usuários do mundo, o contato da pele com a substância pode levar ao ressecamento, e dermatites em pessoas mais sensíveis à fórmula”, explica ainda a especialista.

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Mas é melhor sem álcool?

Cada caso deve ser analisado individualmente. Peles sensíveis, maduras e secas não se beneficiam de produtos com etanol em suas fórmulas. Muitas vezes, esse ingrediente aparece com o nome D álcool, álcool denat e álcool isopropílico. Se você pretende ou quer evitar, saiba que eles são mais agressivos e têm mais chance de causar irritação e prejuízos a longo prazo.

Porém, há tipos melhores e mais seguros. Em geral, os álcoois de cadeia longa e ligados aos lipídeos, como o álcool cetílico, se adaptam melhor a pele, sem causar ressecamento e, inclusive, tem capacidade de hidratação.

“Os álcoois gordos, de cadeia longa e maior peso molecular, que são cetílico, stearyl, e cetearyl, são mais seguros. Impedem a desidratação da pele e dão uma sensação de maciez e suavidade. Mas não devem ser utilizados em pessoas de pele oleosa. Se for de origem natural é melhor do que se for sintético. E a concentração desse álcool no cosmético também é importante”, completa a Dra. Paola.

Consultar um (a) dermatologista é sempre a opção mais correta e saudável para a sua pele, combinado? ;)

Alguns textos e artigos usados para este texto

  

Safety evaluation of topical applications of ethanol on the skin

Alcohol Free

Alcohol in Skin Care: The Facts

Final Report on the Safety Assessment of Cetearyl Alcohol

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