#vivasuapele Tássio Santos e conselhos inspiradores de skincare, autoestima e vontade própria

Da neura da pele mate à libertação total dos comentários homofóbicos que recebia quando se maquiava, Tássio Santos é a inspiração que você buscava para se orgulhar da sua pele e de quem você é, aliando tudo isso a muito auto-conhecimento.

Instagram @herdeiradabeleza

"Quando falo da minha pele, é só com boas lembranças e pensamentos bons", começa Tássio Santos, que já se abriu aqui no nosso blog sobre como ele começou seu relacionamento com o skincare e como é se sentir enxergado por este mercado pela primeira vez.

O dono do Instagram @herdeiradabeleza volta a conversar com a gente, desta vez sobre maquiagem, homofobia e sobre como se fazer enxergar por toda uma indústria que não te vê.
Simplesmente a melhor coisa que você vai ler hoje na internet - da neura da pele mate à superação do bullying homofóbico online, Tássio é inspiração pura: .

A neura da pele mate

Como praticamente todos nós, Tássio já passou pela fase de querer a pele sem qualquer brilho ou viço a qualquer custo, e foi este, segundo ele, seu único real impasse com sua pele: morar numa região tão quente como a Bahia, com pele oleosa, e entrar na neura de que a pele tinha que ser sequinha e bem mate, o que era impossível. "Nunca cheguei a odiar minha pele, mas amá-la é algo recente", relembra Tássio, ao tentar traçar o início de sua relação com o skincare. Seu primeiro impasse já é uma ótima lição: tudo depende do seu entorno também, e mais ainda do seu tipo de pele.

A falta de inclusão numa indústria que deveria falar para todos

Quebrando qualquer regra sobre questões de gênero quando o assunto é pele, Tássio é bem direto quando fala sobre ser um homem que gosta de skincare numa indústria que ainda fala tanto "para a mulher branca": "Todo mundo deve cuidar da pele, independente de gênero, idade, religião ou orientação sexual. Mas ainda há nesta indústria uma mentalidade de que tudo isso é restrito ao universo das mulheres cis", nota, completando que embora muitas vezes se sinta invisível ou esquecido por toda uma indústria, não deixa de consumir. Seu antídoto? Conheça-se, antes de mais nada: "a textura de sua pele, seus tons, subtons, tipo de pele e daí por diante. Se não me enxergam, eu vou me enxergar. E há quem se enxergue em mim, por consequência".

Instagram @herdeiradabeleza

Skincare masculino x feminino

Do ponto de vista de sua experiência pessoal, testando e usando tantos produtos e dedicando tempo e carinho para sua rotina de skincare, Tássio não vê muita diferença nos cuidados com a pele entre mulheres e homens: "Uma vez que você começa a firmar sua rotina de skincare - o que inclui a alimentação, inclusive - o cuidado fica bem parecido", afirma. Mais importante que gênero, para ele? Levar em conta o estilo de vida de cada um ao invés de segmentar campanhas e cosméticos especificamente para homens ou mulheres.

"Eu jamais daria um recorte de gênero nos cosméticos. Apenas seria importante ter uma conversa mais ampla, incluindo mais pessoas - em uma campanha, por exemplo, com modelos diversificados", diz Tássio.

Maquiagem

Se você segue Tássio em seu Instagram, já sabe que ele faz maquiagens incríveis não apenas em suas clientes, mas nele mesmo. Das mais invisíveis, apenas para correção, às mais aparecidas, Tássio afirma que fatalmente há razões machistas em algum lugar de sua cabeça para hesitar em parecer maquiado.

Ele foca em fazer uma pele bonita, e começa o processo - que pode variar de acordo com o estado da sua pele naquele momento - depois da rotina de skincare devidamente feita. "Andei com a pele bem manchada, o que derrubou minha autoestima, então eu passava muito tempo tentando disfarçá-la com corretivo laranja, vinha com a base, corretivo, pó e um pouco de contorno, finalizando com gel de sobrancelha e hidratante labial. Quando estou na correria, é uma base ou um corretivo e pronto".

Aos poucos, porém, ele vem se rendendo novamente ao make mais trabalhado. Em seu feed é fácil achar fotos de Tássio com um belo esfumado, rímel e lápis de olho, por exemplo. Ele relembra que seu canal no YouTube, aliás, começou como tutorial de maquiagem: "Eu recebia muito comentário homofóbico, tanto online quanto offline. Então parei de fazer. Acho que isso deixou resquícios na minha cabeça para hoje em dia, no geral, eu não querer parecer maquiado. Acho que meu gosto pode ter sido construído a partir desses comentários homofóbicos e machistas. Tem um tempo, porém, que eu venho me libertando disso. Se eu queria me maquiar eu me maquiava, me fotografava mas pensava muito antes de postar - ou fazia no máximo nos Stories, que some em 24 horas. Agora eu volta e meia posto e até faço tutorial. É um processo. Lento, doloroso, solitário, mas tenho recebido o apoio da comunidade, e isso me deixa feliz".

Atualmente, ele acha que conseguiu passar por cima de tudo: "Velho, é maquiagem. A gente não pode deixar a sociedade controlar nossos desejos. Quero me maquiar, quero postar no Instagram e quero receber meu biscoito".

Senhoras, senhores e outros, inspiração absoluta: Tássio Santos.

vamos conversar?