Acne: o que é, como tratar e quando procurar um médico

A condição que tanto incomoda as pessoas ocorre quando os poros são obstruídos por óleo e células mortas da pele.

Em algum momento da vida você já deve ter sofrido com pelo menos uma espinha no rosto - principalmente se era aquele dia super importante, com um compromisso sério, especial ou inadiável. Até parece provocação divina, mas pode ser apenas o seu corpo te dando um recadinho sobre ansiedade. Afinal, estresse e acne têm tudo a ver, como você vai descobrir logo mais.  

A acne é coisa muito séria: não só para a saúde da nossa pele, como para a nossa saúde mental - especialmente em casos mais severos, que comprovadamente mexem diretamente com a autoestima de quem passa por isso, não importa a idade. Lembra sobre aquela conversa de que a acne pode interferir até na sua vida profissional?

Mas o que é a condição? E como tratar? 

acne

O que é a acne

A acne é uma condição que ocorre quando os poros ficam entupidos por células mortas, resultando em um acúmulo de sebo, uma substância oleosa produzida pelas glândulas sebáceas. As espinhas e os cravos costumam surgir com mais frequência no rosto, pescoço, peito, costas e ombros.

Ela pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum na adolescência. É que é bem nessa época da vida que os hormônios andrógenos e estrógenos começam a ser produzidos. O primeiro é o responsável pelo início do funcionamento das glândulas sebáceas, mais ativas na face, peito, costas e couro cabeludo. Assim, pessoas com predisposição genética acabam sofrendo com aparecimento de cravos e espinhas por conta dessa mudança na secreção sebácea.

Então, acne é genética? Sim, a tendência a ter essa condição é genética e não há evidências científicas que podem atingir mais um grupo étnico específico. Porém é importante ressaltar que alguns casos podem ser desencadeados por alterações hormonais e até o uso de certos tipos de medicamentos.

Tipos de acne

Em geral, a acne se manifesta com a presença de comedões ou cravos (causados pelo entupimento da saída dos folículos com sebo), pápulas (pequenas lesões sólidas, elevadas, endurecidas e avermelhadas), pústulas ou espinhas (pápulas com pus) e nódulos e cistos, que são lesões bem maiores que as espinhas, que são inflamadas e se expandem para camadas mais profundas da pele. Elas podem ser dolorosas e deixar marcas.

Segundo o Ministério da Saúde, a acne pode ser dividida em cinco tipos, de acordo com a gravidade das lesões apresentas na pele. São eles:

Acne Grau I: apenas cravos, sem lesões inflamatórias (espinhas).

Acne Grau II: cravos e espinhas pequenas, com pequenas lesões inflamadas e pontos amarelos de pus (pústulas).

Acne Grau III: cravos, espinhas pequenas e lesões maiores, mais profundas, dolorosas, avermelhadas e bem inflamadas (cistos).

Acne Grau IV: cravos, espinhas pequenas e grandes lesões císticas, múltiplos abscessos interconectados e cicatrizes irregulares resultando em deformidade da área afetada.

A acne é uma condição de pele que pode afetar diretamente a autoestima das pessoas, principalmente, dos adolescentes. O fator psicológico é muito importante e deve ser olhado com carinho. Se você sofre com acne, é imprescindível procurar um dermatologista para saber qual o melhor tratamento é mais indicado para o seu tipo. Este profissional, aliás, pode te ajudar até a encontrar um tratamento psicológico, se for o caso.

A acne da mulher adulta

Aos 30, 40 e até 50 anos! Sim, tem muita gente por aí que segue enfrentando problemas com a acne após a adolescência, principalmente, entre as mulheres. Um estudo realizado na França com 4.000 mulheres adultas apontou que mais de 40% sofrem com acne. 

"Muitas vezes a acne da mulher adulta está relacionada a um quadro de ovário policístico ou em geral a alguma alteração dos hormônios masculinos, que podem ter aumentado", explica a Dra. Denise Steiner. "A acne da mulher adulta é caracterizada por começar mais tardiamente, comprometendo mais a área do pescoço e o terço inferior do rosto - a região da mandíbula, linha de transição do rosto pro pescoço. As lesões são mais inflamadas e doloridas e deixam mais sequelas de manchas", segue a dermatologista.

Por ter desdobramentos mais profundos, a acne adulta é mais difícil de se tratar com tratamentos tradicionais. Porém a Dra. Denise ressalta que nada disso é definitivo. "Você pode ter acne que persiste da adolescência para a fase adulta, pode ter acne da mulher adulta que melhora com os tratamentos tradicionais. É uma gama muito grande com muitas coisas a serem esclarecidas durante o diagnóstico. Muitas vezes essa acne da mulher adulta com essas características pode não apontar qualquer alteração hormonal. Por isso ela vem sendo chamada de acne da mulher adulta, e não acne hormonal", esclarece a dermatologista.

Algumas pessoas costumam atribuir o uso de cosméticos, como maquiagem, filtro solares e alguns hidratantes, como um fato de piora para a acne adulta. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo afirma que o tema é controverso, mas que várias pesquisas apontam que a retirada desses produtos da rotina dos pacientes não contribuiu para a melhora do quadro. O estudo aponta ainda que sempre que bem indicado e de boa qualidade, os cosméticos ajudam a melhorar o resultado do tratamento da acne.

Estresse piora a acne?

A resposta é sim! O estresse é um fator que pode agravar o quadro se você já tem essa predisposição. Isso acontece porque durante um momento de ansiedade ou estresse, há um aumento na liberação dos hormônios adrenalina, insulina e cortisol, que fazem com que a produção das glândulas sebáceas aumente, aumentando a oleosidade da pele e contribuindo para o aparecimento de pústulas, decorrentes de poros entupidos. Uma prova dessa ligação está no aumento da acne adulta durante a quarentena.

Tratamentos

Existem muitos tratamentos para a condição, de acordo com o grau e tipo. Não existe regra para procurar um médico: se é algo que te incomoda, o melhor é buscar ajuda antes que o quadro se agrave. Quanto mais rápido o tratamento se inicia, melhores são os resultados obtidos, inclusive por causa das cicatrizes.

Um estudo canadense com cerca de 500 pacientes com acne, publicado no British Journal of Dermatology, apontou que mesmo a acne leve pode evocar sentimentos de baixa autoestima, depressão e pensamentos suicidas. Como aparece na adolescência, coincide com um período cheio de incertezas sobre a autoimagem, contribuindo para problemas psicológicos. Na idade adulta, o fato também não deve ser ignorado.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, na sua forma mais leve, o tratamento pode ser apenas local, com produtos encontrados em farmácias e lojas de cosméticos especializados. Em geral com ingredientes como ácido salicílico, peróxido de benzoíla, retinóides, antibióticos (clindamicina e eritromicina) e ácido azeláico.

Quando o quadro evolui mal, há também o uso de antibióticos específicos por via oral, com duração estipulada por um médico. Para as mulheres, tratamentos hormonais com anticoncepcionais podem ser usados em determinados casos. Casos muito graves também são tratados com medicamentos, como a Isotretinoína, o famoso Roacutan.

Extração de cravos, drenagem de abscessos, peelings, aplicações de laser, esfoliações e "limpezas de pele" podem ajudar o quadro, mas devem ser feitos por dermatologistas.

Dica amiga: quem tem acne não deve, em nenhuma hipótese, cutucar ou espremer as lesões, pois pode levar à infecção, inflamação e cicatrizes. E, importantíssimo, jamais deixe de tratar: aceitar nossa pele é fundamental, mas exterminar suas espinhas é uma questão de saúde. 

"A gente tem que pensar sim no problema a longo prazo, como você desenvolver uma cicatriz. Quanto mais tarde você tratar dela, mais complicado é", diz a dermatologista. "Dá muito mais trabalho e custa muito mais caro", já nos explicou a Dra. Juliana Piquet. Não cuidar, segundo ela, é bem mais perigoso: "Especialmente no rosto, dependendo do ponto, há uma comunicação com os seios da face ou contato com meninge, por exemplo, e isso pode acarretar um quadro de infecção à distância".

acne

Mitos e verdades

Você consegue pensar em um assunto que gere mais mitos do que a acne? Em meio a tantas informações, o que é mito e o que é verdade quando falamos em acne? Vamos lá:

Ela é contagiosa? Não!

A acne tem cura? Também não, mas tem controle com excelentes resultados.

Chocolate causa acne? Não é bem assim. Alimentos gordurosos, com altos índices de açúcar, podem estimular a produção de sebo, aumentando a oleosidade da pele. Comer com moderação e dar preferência aos amargos, pode ser uma boa.

Menstruação favorece o aparecimento da acne? Sim, por pura influência dos hormônios, que fazem as glândulas sebáceas trabalharem mais, aumentando a oleosidade da pele.

Sol é bom para as espinhas? Mito! O excesso de sol pode causar um aumento na produção de sebo, além de ressecar a pele e causar um efeito rebote. Portanto, cuidado!

Ingredientes

Além do herói ácido salicílico, outros ingredientes são famosos no tratamento contra a acne, como ácido glicólico, hamamélis, ácido hialurônico, óleo de melaleuca, argila, niacinamida e vitamina C, entre outros. Aqui no nosso guia dos melhores e piores ingredientes para quem sofre com cravos e espinhas você tem uma listinha bem completa!

acne

Você já conhece nosso sérum antiacne? Muito mais do que um secativo poderoso, ele é um sérum que ajuda a tratar e prevenir acne sem ressecar. Só ele contém o ácido salicílico - um BHA que desentope os poros - em sua concentração máxima de 2%, a melaleuca com o 4-terpineol que oferece todos os benefícios bactericidas e anti-inflamatórios sem irritar a pele, e a niacinamida e o extrato de buchu,que controlam a oleosidade e ajudam a minimizar poros dilatados

O sérum antiacne tem um efeito secativo de espinhas em até 24 horas sem ressecar. Ele também previne o aparecimento de espinhas e cravos, desobstrui e minimiza poros dilatados, controla a oleosidade e melhora cicatrizes e manchas de acne, reduz a presença das bactérias causadoras da acne, a inflamação e a vermelhidão, e ainda repara a barreira de proteção da pele.

Que tal inserí-lo em sua rotina de skincare?

Lembrando sempre: consultar um (a) dermatologista é sempre a opção mais correta e saudável para cuidar da melhor forma possível da sua pele, combinado? ;)

Alguns textos e referências consultados para este texto:

Acne - Association Canadienne de Dermatologie

Acne - Sociedade Brasileira de Dermatologia

Tratamento da acne - Sociedade Brasileira de Dermatologia

Acne: Diagnosis and Treatment - AAD

Acne - Ministério da Saúde

Adult acne - AAD

Adult Acne Versus Adolescent Acne

Adult-onset acne: prevalence, impact, and management challenges

Acne da mulher adulta: aspectos epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos

 

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