O que é mito e o que é verdade quando falamos de cravos?

Espremer pode não ser a solução e lavar o rosto demais pode não ser o ideal

Ah, os tão falados cravos! Tem gente que não pode ver um que já vai correndo espremer, tem até quem é vi-ci-a-do em assistir vídeos no Youtube dessa nobre arte. Porém, será que essa é mesmo a melhor opção na hora de cuidar dos que aparecem na sua bela cútis? Bem, primeiro é necessário entender: afinal, o que é um cravo?

Crédito: David Hurley/Unsplash

“No interior da pele, existem folículos sebáceos (estrutura onde encontramos a raiz do pelo e a glândula sebácea). A glândula sebácea produz um sebo, que é liberado na pele para manter sua hidratação, lubrificação e proteção (o manto lipídico). A abertura do folículo piloso na pele é o que nós chamamos de poro da pele. Quando esse poro entope com o sebo liberado pela glândula sebácea, se forma o cravo”, explica a Dra. Paola Pomerantzaff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). 

Talvez seja nessa parte que você pense: ah, só deve existir na pele oleosa. Nada, disso! Cravos podem aparecer em outros tipos de pele. Porém, é claro que são bem mais comuns em peles oleosas, porque a produção das glândulas sebáceas é maior nesse tipo. 

Pretos e brancos 

Mas cravo é só aquele pontinho preto que aparece na pele? Também, mas não só! Cravos pretos são aqueles em que o poro entupido é mais largo e, por isso, há maior contato do sebo em seu interior com o ar do meio ambiente, o que leva à oxidação do sebo. Com isso, a sua coloração fica escura e o cravo fica com uma "tampinha preta", ou seja, são os cravos abertos ou pretos. Já nos poros mais estreitos, a secreção da glândula sebácea não tem contato com o ar do ambiente e por isso mantém sua coloração clara, são os cravos brancos ou fechados. 

Sempre viram acne? 

Crédito: Sebastian Stan/Pexels

Saiba que nem sempre é assim. “Geralmente, cravos ou comedões pretos ou abertos não evoluem para espinhas. Já nos cravos ou comedões fechados (brancos) algumas bactérias podem se proliferar e se alimentar do sebo acumulado no local. A evolução nesses casos é a formação de uma ‘espinha’”, pondera a Dra. Paola. 

Cravos são bichinhos vivendo na nossa pele? 

Não, como já dissemos cravos são acúmulos de sebo dentro dos folículos (poros). Porém, existem algumas bactérias e ácaros que gostam de lugares exatamente assim: com gordura e sem contato com ar. Um exemplo de ácaro que gosta desse ambiente é o Demodex folliculorum, que pode ser encontrado também em outros poros da pele. Porém, nos que estão entupidos, podem acabar ajudando em uma infecção, que pode gerar uma espinha, por exemplo. 

É contagioso?

Algumas pessoas acreditam que cravos são contagiosos, mas isso é puro mito. Eles se formam a partir da atividade normal da glândula sebácea presente na pele. A quantidade dessa glândula na pele de cada pessoa e como será o funcionamento dela é determinado geneticamente. 

Erros e acertos na hora de cuidar 

Um bom tanto dos mitos que envolvem cravos estão nos tratamentos escolhidos para “se livrar” desses colegas incômodos. A sabedoria popular, por exemplo, dá como certo que pasta de dente é maravilhoso para removê-los. Porém, além de não ter essa função, há um problema um tanto mais sério. 

Crédito: Matheus Ferrero/Unsplash

“A pasta de dente possui muitas substâncias que podem causar dermatite de contato na pele. Portanto, além de não funcionar, pode causar uma lesão na pele onde foi aplicada. Ela não foi feita para ser aplicada na pele”, alerta a especialista.

E controlar a alimentação? Será que ajuda mesmo? Bem, isso pode realmente ajudar, mas vale lembrar que o ideal é sempre procurar um dermatologista para entender melhor as particularidades da sua pele. Mas saiba que alguns alimentos podem ajudar a desencadear processos que desencadeiam uma maior produção de sebo. 

A Dra. Paola Pomerentzaff explica: “Alimentos que levam farinha branca (carboidrato simples) ou açúcar acarretam o aumento da insulina no sangue, que, por sua vez, estimulam a produção de hormônios andróginos, que desencadeiam uma maior produção de sebo pelas glândulas sebáceas, aumentando a chance de aparecimento de cravos. Frituras e alimentos mais gordurosos, assim como o leite e seus derivados, estimulam a maior produção de gordura pelas glândulas sebáceas. O chocolate pode ser um vilão, mas não pelo seu principal ingrediente (cacau) e sim pelo açúcar, leite, e gorduras em sua composição. Então, se você for chocólatra, opte por chocolates com concentração mais alta de cacau e consuma com moderação.” 

Espremer é um caminho que pode dar errado.
Os dermatologistas alertam que não deve ser uma opção, por mais que você adore fazer isso. Quando você espreme um cravo, pode estar, na verdade, empurrando o sebo e as bactérias para o fundo do poro causando inflamação e até mesmo uma espinha. Podendo evoluir para uma cicatriz. O ideal é que a extração seja feita por uma profissional através da limpeza de pele, para diminuir o risco de inflamações em vez de aumentar o problema. 

Lavar o rosto muitas vezes na tentativa de combater a oleosidade é um mito que pega muita gente ainda. O ato pode acabar ressecando e irritando a pele. Além disso, faz com que a pele “entenda” que precisa produzir mais sebo, causado o famoso efeito rebote. Ou seja, poderá até aumentar a quantidade de cravos. 

Adeus, cravos! 

Para quem sofre com os cravos na pele, saiba que há uma rotina de skincare que vai te ajudar muito e não é nenhum bicho de sete cabeças. É aquele básico amigão: limpar, esfoliar e proteger! 

Limpar a pele com produtos gentis, não agressivos e adequados para o seu tipo de pele é uma dica preciosa. Duas vezes ao dia pode ser o suficiente para você, porém, vale lembrar que só um dermatologista pode te ajudar nessa frequência e também em algumas escolhas do que usar. 

Fazer uma limpeza de pele com profissionais capacitados também pode ser uma boa. Ela é feita através da remoção mecânica dos cravos, sem infeccionar o local. 

Crédito: Pexels/Steven Arenas

A esfoliação é outra amigona da pele sem cravos. Como já contamos aqui no blog, ela pode ser física, química ou biológica. Essa etapa - que você deve incluir na rotina! - é responsável por promover uma limpeza profunda e estimule a renovação celular. O uso de esfoliantes, de duas a três vezes por semana, pode prevenir e controlar o aparecimento de novos cravos. 

Tonificar, usar produtos que regulem a oleosidade da pele e também dar aquela hidratada é uma ótima ideia. A Dra. Paola dá a dica: 

“A melhor rotina para quem sofre com cravos é: higienização adequada da pele, nunca dormir com maquiagem (para que não ocorra a obstrução de poros), e manter a produção de sebo controlada com produtos que não aumentem a oleosidade da pele. Lavar a pele duas vezes ao dia, utilizar um tônico para complementar a limpeza, hidratar a pele com um produto não comedogênico, específico para controle da oleosidade. Esfoliantes e alguns ácidos de uso tópico podem ser incorporados à rotina para manter a renovação celular e prevenir o aparecimento de novas lesões. O uso de um protetor solar que não aumente a oleosidade da pele também é importante.” 

Crédito: Azyan Syazwani Rozik/Pexels

Vale lembrar! Consultar um (a) dermatologista é sempre a opção mais correta e saudável para cuidar da melhor forma possível da sua pele! ;)

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