Vitamina D: qual a real importância dela para nossa saúde?

Já adiantamos: a deficiência dela pode trazer problemas

Você já deve ter ouvido falar que tomar sol é super importante para elevar os níveis de vitamina D no seu corpo, né? Mas você tem alguma ideia do motivo de ser tão vital para a sua saúde? Bem, já podemos adiantar que ela ajuda na resistência imunológica, a proteger os ossos, a evitar problemas cardiovasculares, entre vários outros pontos incríveis. Ficou curiosa (o)? Então, só vem!

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O que é?

Primeiro, é necessário explicar que a vitamina D, na verdade, é um hormônio esteroide lipossolúvel. Sim, não ficamos malucos! Quem explica melhor é o Dr. Cláudio Ambrosio, especialista em endocrinologia e metabolismo: “Ela é produzida em um local e vai fazer efeito em outro local. Essa é uma característica hormonal. O hormônio é produzido em uma glândula, que vai agir em outro local, certo? Então, por definição, cientificamente, a vitamina D se tornou e é reconhecida como hormônio”.

A vitamina D foi chamada desta maneira nos anos 20, pois os especialistas acreditavam que ela só poderia ser obtida por meio da alimentação. Foi descoberta depois das vitaminas A, B e C, exatamente por isso, ganhou no nome a letra D. Só na década de 70, é que descobriram que ela poderia ser sintetizada pelo organismo. Ou seja, não é uma vitamina!

Ela é tão importante que controla nada menos do que 270 genes, incluindo células do sistema cardiovascular. “Ela está presente em, mais ou menos, 15% do nosso genoma. Veja a comparação: de nós para o macaco, são 2% de diferença no genoma. A vitamina D está presente em 15% do genoma humano! Daí você vê a importância dela para a saúde. Seja na imunologia, na resistência imunológica, seja para a resistência orgânica e vários outros sistemas que ela participa ativamente e diretamente na saúde, como por exemplo, osteopenia, osteoporose, alterações osteoarticulares e da coluna, por exemplo”, completa o especialista.

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E o que o sol tem a ver com isso?

Bem, é justamente através da exposição ao sol, mais precisamente aos raios ultravioletas B, que conseguimos sintetizar uma maior quantidade de vitamina D. “Cerca de 10-20% da forma ativa da vitamina D provém da dieta. E 80% da vitamina é sintetizada na pele, a partir de uma substância derivada do colesterol (7-dihidrocolesterol) a partir de reações enzimáticas das quais participa a luz solar”, explica a Dra. Kédima Nassif, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Talvez você esteja querendo saber em quais alimentos ela pode ser encontrada também. Bem, não são tantos assim: peixes gordurosos, óleo de fígado de bacalhau e cogumelos secos. Leite, ovos e fígado bovino também têm a vitamina, porém em baixa quantidade. Para conseguir suprir a quantidade diária de vitamina D, teríamos que consumir esses alimentos em grande quantidade. O que não é viável. Por isso, a luz solar é tão importante.

Filtro solar atrapalha?

A classe médica até se divide quando o assunto é proteção solar e vitamina D, mas novos indícios científicos apontam que não atrapalha tanto quanto se imaginava. "É um tema polêmico. Alguns estudos indicam que usar muito protetor solar, com FPS alto, pode impedir que a radiação ultravioleta B entre em contato com a pele. Essa radiação ultravioleta B é que inicia a conversão da pré-vitamina D na vitamina D ativa, que depois vai ser absorvida e vai ter aquela função importante, que já conhecemos", explica Lucas Portilho, farmacêutico e pesquisador em Cosmetologia, especialista em fotoproteção.

"Existem estudos que dizem que isso acontece. Então, não posso dizer que é um mito, porque de fato há poucas evidências científicas relacionadas a isso. Uma das últimas revisões científicas publicadas, em abril desse ano, conclui que existem poucas evidências relacionando o uso do protetor com a diminuição da vitamina D. Não existe uma verdade sobre isso. Dependendo do profissional da saúde, um dermatologista, por exemplo, nunca vai indicar ficar exposto ao sol. O que ele vai fazer? Uma suplementação oral de vitamina D. Eu não indicaria, não exporia um paciente ao sol sem proteção. Tá com hipovitaminose? Há estudos que falam que a suplementação é eficaz. Não existe um consenso na classe médica sobre o que deve ser feito. Cada especialista faz o que a sua categoria recomenda", conclui.

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A dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não recomenda tomar sol sem proteção em hipótese alguma. "A absorção da vitamina D depende de doses muito baixas de UVB em pequenas áreas do corpo. Ou seja, não é necessário deixar de passar o filtro solar para absorver os raios solares para produzir vitamina D. O protetor solar deve ser aplicado diariamente para evitar câncer e fotoenvelhecimento da pele", afirma.

A Dra. Jade Cury Martins, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD, também alerta que o uso de proteção solar é importante. "Em relação a uso de protetor solar e a síntese de vitamina D, o que a gente tem de estudos em relação a isso: esse ano foi um publicado uma revisão no British Journal of Dermatology, que foi um painel de especialistas que reviu tudo o que tinha na literatura sobre o uso de proteção solar e e vitamina D. E o que concluíram? Que os estudos de vida real, com a quantidade de filtro solar que a gente aplica, a regularidade que a gente aplica, em um contexto de vida real, não eram suficientes para diminuir a síntese de vitamina D", explica.

"No final desse estudo, a conclusão deles é que o uso do filtro solar no dia a dia, na rotina, deve, sim, ser recomendado. E que esse uso do dia a dia que a gente faz não vai alterar a síntese de vitamina D. Então, ele recomenda em países não tropicais um fator de proteção FPS no mínimo 15 e, em países de maior incidência de radiação, como os tropicais, um FPS de no mínimo 30. O que ele fala é que, quando você vai ficar exposto, uma exposição recreacional, na praia, na piscina, você tem que aplicar com mais cuidado a proteção solar", completa.

Todo mundo precisa de suplementação oral?

Talvez você já tenha ido ao médico e escutado que tem uma leve ou grande deficiência em vitamina D. Isso é mais comum do que muita gente imagina. Como apontam alguns estudos, mais de 75% da população brasileira sofre com isso.

“Nem sempre tomar sol é o suficiente. Muitas vezes, na maioria delas, em algum momento da vida a pessoa vai precisar de uma reposição. Veja que nós moramos em um país tropical e a incidência da deficiência é muito alta”, aponta o Dr. Cláudio Ambrosio.

Se você tiver uma deficiência, o ideal é consultar um médico e ver quais passos devem ser tomados. Pessoas idosas, por exemplo, produzem menos vitamina D em resposta à exposição solar, é uma questão metabólica. Portanto, consulte um especialista para entender melhor o que acontece no seu caso.

Um ponto interessante também é que a deficiência de vitamina D em mulheres grávidas pode aumentar o risco de hipertensão arterial e diabetes gestacional, por exemplo. Ou seja, muitas vezes a suplementação pode ser necessária nesses casos.

Apesar disso, saiba que é possível, sim, produzir vitamina D suficiente. “Indivíduos com boa exposição solar, fototipos mais claros (a melanina prejudica a absorção da luz na pele) e sem contraindicação à exposição solar mínima, conseguem produzir vitamina D sem a necessidade de suplementação”, explica a Dra. Kédima Nassif.

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Quais os benefícios?

Manter os níveis dentro dos valores aceitáveis, só traz benefícios. “A vitamina D controla os níveis de cálcio no organismo, possui funções de controle da imunidade, participa do controle dos níveis pressóricos no organismo, participa do ganho de massa magra, controla a secreção de insulina e tem ação protetora contra câncer. Na pele, participa da prevenção do câncer, das doenças inflamatórias e autoimunes e mantém as funções das células funcionando em harmonia”, afirma a Dra. Kédima.

Ou seja, para ter ossos fortes, saiba que este hormônio regula a quantidade de cálcio e fósforo em nosso organismo. Exatamente por regular essas substâncias, tem um papel importante na contração muscular, inclusive, no coração. Quando temos deficiência de vitamina D, podemos estar mais expostos a riscos de fraturas e quedas, por conta da fraqueza muscular.

Além disso, segundo artigos científicos, tem se mostrado essencial para a força do sistema imunológico. Células que fazem parte do sistema imunológico têm receptores para a vitamina D, que atua no fortalecimento do sistema de defesa, prevenindo doenças. 

Alguns estudos e artigos usados para este texto

A importância dos níveis de vitamina D nas doenças autoimunes

Deficiência de vitamina D (250H) e seu impacto na qualidade de vida: uma revisão de literatura

Vitamin D and calcium supplementation reduces cancer risk: results of a randomized trial

The Role of Vitamin D in Cancer Prevention

Deficiência da Vitamina D e Doenças Cardiovasculares

Vitamina D | Artigo

Excesso de vitaminas | Entrevista

Sunscreen photoprotection and vitamin D status

The effect of sunscreen on vitamin D: a review

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